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Já no Acto Europeu de 1986, no seu artigo 130.1, se estabelecia um vínculo claro entre a Inovação e o Desenvolvimento Económico. Desde essa altura, alargou-se o âmbito dos pronunciamentos e, gerou-se um consenso que hoje quase constitui unanimidade. Dificilmente, alguma personalidade poderá, na actualidade, duvidar da bondade da Inovação, como método, como desígnio, como estratégia, como objectivo, como panaceia.
No entanto, quando se vulgariza o termo, dilui-se o seu significado, gerando-se equívocos. O primeiro, parece ser o da Inovação enquanto saída, milagrosa, para a crise. O segundo, parece ser o de que é ao Estado que compete, mais que incentivar, liderar a prossecução desse desígnio.
Atentemos no primeiro mito. A inovação é uma alternativa possível para posicionamentos estratégicos. Através desta opção, as empresas procuram criar novos produtos na esperança de atrair consumidores seduzidos pela diferenciação, evitando o confronto directo pelo variável preço. Ou, procuram inovações de processo como forma de redução dos custos para obter margens de manobra no confronto com os competidores. Não obstante, já há muito que se sabe que as inovações são fontes efémeras de vantagens e que, a prazo, assistiremos a uma árdua batalha por eficiências marginais no quadro de uma “tenacidade obsessiva” no controlo dos custos. Portanto, as variáveis de postura como a escala, a dimensão, a ocupação de mercados vastos, bem como as politicas de distribuição, as politicas de comunicação e as politicas de gestão de recursos humanos, permanecem como vectores essenciais da gestão, visando um esforço integrado e coerente com condição de sucesso.
No que concerne ao segundo mito, agora que se fala tanto de planos tecnológicos, o que se conseguiu com anos e anos de politica científica e tecnológica europeia? O que se conseguiu com anos e anos de fundos e programas de incentivo à inovação e ao desenvolvimento tecnológico? A causalidade linear simples, com o Estado no papel central, nos modelos de Sistema Nacional de Inovação, não parece ter rendido grande coisa. Mantemos, e em Portugal particularmente, uma enorme dificuldade em estabelecer prioridades e em produzir escolhas nesta área. A retórica revela que, na base destes raciocínios subjaz a vontade de navegar em direcção à denominada “economia do conhecimento”. Parece-me, que entre nós, o enfoque está no “conhecimento” e existe alguma repugnância pela “economia”. Acentua-se algum “nojo” aristocrático pela “submissão” da “ciência” ao mercado, ao mesmo tempo que se produzem declarações sobre a necessidade de uma “reestruturação” do tecido económico que nos pouparia às aflições de concorrer em segmentos e actividades de baixa intensidade tecnológica, vulgo “alugar” costureiras à hora para competir com os chineses na fabricação de camisas.
Talvez se pudesse estudar melhor um caso bem perto de nós. O caso Brisa. Talvez se aprendesse alguma coisa a partir de acções concretas que deram resultados, em lugar de perder tanto tempo com ensaios em power point e na inacreditável crença que se conseguem “fabricar” clusters contra toda a evidência do carácter espontâneo da sua formação. Talvez se pudesse, antes, afirmar a necessidade de manter os lucros privados mas de igual modo abandonar a prática curiosa de socializar os prejuízos. Ou seja, dar uma hipótese de conhecermos o que é uma economia capitalista. Nem que fosse por um pequeno período temporal.
[17-02-2006]
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